sexta-feira, 19 de junho de 2015

Referências


2.3 - As relações entre Estado e Igreja



A sociedade necessita de uma autoridade à qual todos os membros devem render o suficiente da sua liberdade natural, por forma a que a autoridade possa assegurar a paz interna e a defesa comum. Ou seja, defendia a ideia segundo a qual os homens só podem viver em paz se concordarem em submeter-se a um poder absoluto e centralizado, quer seja um monarca ou uma assembleia, o Estado é uma autoridade inquestionável.
Na teoria do Estado de Hobbes não há separação entre Igreja e Estado, entre religião e política, uma vez que ambas as matérias são da competência da autoridade soberana do Estado. Portanto, fica claro que na teoria constitucional do autor "não só não há separação entre Igreja e Estado, como Igreja e Estado são a mesma coisa, são 'dois nomes diferentes' – diz Hobbes – da mesma coisa, tendo a denominação de Estado 'enquanto consta de homens, e de Igreja enquanto consta de cristãos'. Desse modo, a teoria da indivisibilidade do poder, fundada na convicção de que o poder soberano ou é o único ou não é soberano, desemboca numa total conversão da Igreja em instituição do Estado.
Fica claro que a tão comentada distinção entre o poder espiritual e o poder temporal tem de ser eliminada para que se alcance paz, ordem, proteção e obediência no interior de um corpo político. Se o governo da religião, isto é, o governo espiritual não estiver consolidado no governo da política não é possível secularizar. Hobbes prega que só há uma religião que necessariamente deve ser a do governante.

2.2 - O fim do conflito: os ditames da reta razão

Hobbes confere à razão o papel de apontar aos homens o melhor caminho para a conservação da vida na medida em que a razão é a faculdade a partir da qual as leis de natureza podem ser deduzidas. Ela deve ser um objeto de estudo se pretendemos entender tais leis. No Leviatã, Hobbes diz que razão “nada mais é do que cálculo das consequências de nomes gerais estabelecidos para marcar e significar nossos pensamentos”. Raciocinar, para Hobbes é calcular e o raciocínio é responsável. A razão demanda esforço e sendo assim não é tão facilmente alcançada por todos os homens. 
O bom uso da razão requer um bom uso da linguagem, pois a linguagem mal utilizada conduz a raciocínios falsos ou absurdos, que podem ser altamente maléficos à humanidade, é ela que nos difere dos animais, mas, por outro lado, a linguagem é capaz de nos precipitar na ignorância se não for bem utilizada. 
Hobbes diz que a capacidade de proceder de acordo com regras gerais e infalíveis não é qualidade de todos os homens, mas “pouquíssimos têm e apenas numas poucas coisas”. Assim, tal habilidade é restrita e como todo cálculo, está sujeita ao erro. Podemos dizer que a razão parece estar mais relacionada com a faculdade, com a capacidade que os homens têm de calcular, enquanto a reta razão parece se referir ao melhor uso da razão. A razão é reta quando o raciocínio é verdadeiro. E do ponto de vista do comportamento humano, quando o raciocínio é verdadeiro as conclusões às quais chega são regras que conduzem à preservação de si e à paz, sendo assim, mais uma vez temos que a razão, enquanto faculdade é também própria de todos os homens. Há a necessidade de que, para haver a reta razão, é preciso o esforço ou cultivo. 
Uma correta operação da razão se mostra possível mesmo em estado de natureza, ou seja, o bom uso da razão, em estado de natureza, é improvável, ainda que não seja impossível.
Hobbes diz que a razão contribui pois sugere adequadas normas de paz, em torno das quais os homens podem chegar a acordo. Essas normas são as leis de natureza. 
Uma vez que o que se pretende é a conservação de si por meio do estabelecimento da paz, as regras seguintes pretendem preservar a sociabilidade e evitar a hostilidade entre os homens.
Uma lei de natureza é uma regra descoberta por reflexão racional que conduz os indivíduos em direção à autopreservação. Por meio do poder da razão, os indivíduos no estado de natureza podem descobrir princípios gerais de ação que os ajudarão a evitar a destruição. 
As leis de natureza podem ser resumidas na regra de ouro: “não faças ao outro aquilo que não farias a ti mesmo”. 
No estado de natureza não há garantia de cumprimento recíproco do pacto, se alguém cumpriu sua parte, não se deve estar certo de que o outro o fará. Os homens prezam pelo benefício imediato que possam ter com o rompimento. Faz-se necessário, portanto, um poder comum que atue sobre os contratantes e os  obrigue ao cumprimento, uma instituição de um poder civil suficiente para obrigar os homens a cumpri-los. A obrigação efetiva se dá somente no Estado
Hobbes afirma que as leis de natureza podem ser vistas sob duas perspectivas: primeiro elas são uma série de regras descobertas pela razão humana, e não são moralmente obrigatórias, mas preceitos prudenciais que fornecem um caminho racional para a autopreservação. 
Segundo, elas são também os comandos de Deus revelados através do poder natural da razão e através da Sagrada Escritura
Vemos no Leviatã que “todos os homens concordam que a paz é uma coisa boa, e, portanto que também são bons o caminho ou meios da paz, os quais são a justiça, a gratidão, a modéstia, a equidade, a misericórdia e as restantes leis de natureza; quer dizer, as virtudes morais; e que seus vícios contrários são maus”.

2 - Elementos centrais da Filosofia Política de Thomas Hobbes

2.1- O estado de natureza 
O homem não é, por natureza bom, por esta razão, segundo Hobbes, quando os homens viviam no Estado da Natureza em que eram todos iguais e, portanto tinham todos os mesmos direitos, cada um fazia o que lhe apetecia. Hobbes afirma que no estado de natureza os homens podem todas as coisas. Por isso, eles utilizam todos os meios disponíveis para consegui-las.

Os homens são maus por natureza (o homem é o lobo do próprio homem), pois possuem um poder de violência ilimitado, recorrem à violência em prol da segurança desse bem, expresso pelos outros aquele reconhecimento valorativo que se autoconfere é também causa da discórdia, porque nenhum homem se vê inferior aos outros e, por isso, impõe-se violentamente sobre os outros como superior. Assim Hobbes percebe que nessa condição tudo é possível, já que não há regras que impeçam os homens de tomar o que é de outrem, nem que os impeçam de infligir sofrimento ao outro. A partir de um contrato social que visa a abdicação do poder ilimitado de cada um e um redirecionamento desse poder (poder de polícia) para a manutenção da ordem e da estabilidade. 

1 - Introdução ao pensamento de Thomas Hobbes


Será que o ser humano nasce livre?
Não, pois, Thomas Hobbes conclui que somente podemos nos considerar realmente livres quando somos capazes de avaliar as consequências, boas ou más, das nossas ações. 
Na obra Leviatã, Hobbes explanou os seus pontos de vista sobre a natureza humana e sobre a necessidade de um enorme governo e de uma enorme sociedade. De acordo com Hobbes, tal sociedade necessita de uma autoridade à qual todos os membros devem render o suficiente da sua liberdade natural, por forma a que a autoridade possa assegurar a paz interna e a defesa comum sendo o Leviatã, uma obra que condiz uma autoridade inquestionável.
Thomas Hobbes defendia a ideia que os homens só podem viver em paz se concordarem em submeter-se a um poder absoluto e centralizado. Para ele, a Igreja cristã e o Estado cristão formavam um mesmo corpo, encabeçado pelo monarca, que teria o direito de interpretar as Escrituras, decidir questões religiosas e presidir o culto. Neste sentido, critica a livre interpretação da Bíblia na Reforma Protestante
Sua filosofia política foi analisada pelo cientista político Richard Tuck como uma resposta para os problemas que o método cartesiano introduziu para a filosofia moral. Hobbes argumenta que só podemos conhecer algo do mundo exterior a partir das impressões sensoriais que temos dele ("Só existe o que meus sentidos percebem") possuindo uma descrição da natureza humana como cooperação em interesse próprio. E aqui podemos entender por que Hobbes é com Maquiavel e em certa medida Rousseau, um dos pensadores mais "malditos", tão ofensivo quanto "maquiavélico".



Thomas Hobbes




Thomas Hobbes (1588 - 1679) matemático, teórico político, e filósofo inglês, destaca-se no campo da teoria política pelas obras Leviatã (1651) e Do Cidadão (1642), influenciado pela reforma Anglicana.

No século XVII Hobbes foi de grande importância para a Inglaterra, pois marca o começo do expansionismo colonialista ultramarino inglês, também são lançadas as bases do capitalismo industrial na Inglaterra com a Revolução Gloriosa, ele foi o marco do absolutismo monárquico deste século.