Hobbes
confere à razão o papel de apontar aos homens o melhor caminho para a
conservação da vida na medida em que a razão é a faculdade a partir da qual as
leis de natureza podem ser deduzidas. Ela deve ser um objeto de estudo se
pretendemos entender tais leis. No Leviatã, Hobbes diz que razão “nada
mais é do que cálculo das consequências de nomes gerais estabelecidos para
marcar e significar nossos pensamentos”. Raciocinar, para Hobbes é calcular e o
raciocínio é responsável. A razão demanda esforço e sendo assim não é tão
facilmente alcançada por todos os homens.
O bom uso
da razão requer um bom uso da linguagem, pois a linguagem mal utilizada conduz
a raciocínios falsos ou absurdos, que podem ser altamente maléficos à
humanidade, é ela que nos difere dos animais, mas, por outro lado, a linguagem
é capaz de nos precipitar na ignorância se não for bem utilizada.
Hobbes
diz que a capacidade de proceder de acordo com regras gerais e infalíveis não é
qualidade de todos os homens, mas “pouquíssimos têm e apenas numas poucas
coisas”. Assim, tal habilidade é restrita e como todo cálculo, está sujeita ao
erro. Podemos dizer que a razão parece estar mais relacionada com a faculdade,
com a capacidade que os homens têm de calcular, enquanto a reta razão parece se
referir ao melhor uso da razão. A razão é reta quando o raciocínio é verdadeiro.
E do ponto de vista do comportamento humano, quando o raciocínio é verdadeiro
as conclusões às quais chega são regras que conduzem à preservação de si e à
paz, sendo assim, mais uma vez temos que a razão, enquanto faculdade é também
própria de todos os homens. Há a necessidade de que, para haver a reta razão, é
preciso o esforço ou cultivo.
Uma
correta operação da razão se mostra possível mesmo em estado de natureza, ou
seja, o bom uso da razão, em estado de natureza, é improvável, ainda que não seja
impossível.
Hobbes
diz que a razão contribui pois sugere adequadas normas de paz, em torno das
quais os homens podem chegar a acordo. Essas normas são as leis de
natureza.
Uma vez
que o que se pretende é a conservação de si por meio do estabelecimento da paz,
as regras seguintes pretendem preservar a sociabilidade e evitar a hostilidade
entre os homens.
Uma lei
de natureza é uma regra descoberta por reflexão racional que conduz os
indivíduos em direção à autopreservação. Por meio do poder da razão, os
indivíduos no estado de natureza podem descobrir princípios gerais de ação que
os ajudarão a evitar a destruição.
As leis
de natureza podem ser resumidas na regra de ouro: “não faças ao outro aquilo
que não farias a ti mesmo”.
No estado
de natureza não há garantia de cumprimento recíproco do pacto, se alguém
cumpriu sua parte, não se deve estar certo de que o outro o fará. Os homens
prezam pelo benefício imediato que possam ter com o rompimento. Faz-se
necessário, portanto, um poder comum que atue sobre os contratantes e os
obrigue ao cumprimento, uma instituição de um poder civil suficiente para
obrigar os homens a cumpri-los. A obrigação efetiva se dá somente no Estado
Hobbes
afirma que as leis de natureza podem ser vistas sob duas perspectivas: primeiro
elas são uma série de regras descobertas pela razão humana, e não são
moralmente obrigatórias, mas preceitos prudenciais que fornecem um caminho
racional para a autopreservação.
Segundo,
elas são também os comandos de Deus revelados através do poder natural da razão
e através da Sagrada Escritura
Vemos no Leviatã
que “todos os homens concordam que a paz é uma coisa boa, e, portanto que
também são bons o caminho ou meios da paz, os quais são a justiça, a gratidão,
a modéstia, a equidade, a misericórdia e as restantes leis de natureza; quer
dizer, as virtudes morais; e que seus vícios contrários são maus”.
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