A
sociedade necessita de uma autoridade à qual todos os membros devem render o
suficiente da sua liberdade natural, por forma a que a autoridade possa
assegurar a paz interna e a defesa comum. Ou seja, defendia a ideia segundo a
qual os homens só podem viver em paz se concordarem em submeter-se a um poder
absoluto e centralizado, quer seja um monarca ou uma assembleia, o Estado é uma
autoridade inquestionável.
Na teoria
do Estado de Hobbes não há separação entre Igreja e Estado, entre religião e
política, uma vez que ambas as matérias são da competência da autoridade
soberana do Estado. Portanto, fica claro que na teoria constitucional do autor
"não só não há separação entre Igreja e Estado, como Igreja e Estado são a
mesma coisa, são 'dois nomes diferentes' – diz Hobbes – da mesma coisa, tendo a
denominação de Estado 'enquanto consta de homens, e de Igreja enquanto consta
de cristãos'. Desse modo, a teoria da indivisibilidade do poder, fundada na
convicção de que o poder soberano ou é o único ou não é soberano, desemboca
numa total conversão da Igreja em instituição do Estado.
Fica
claro que a tão comentada distinção entre o poder espiritual e o poder temporal
tem de ser eliminada para que se alcance paz, ordem, proteção e obediência no
interior de um corpo político. Se o governo da religião, isto é, o governo
espiritual não estiver consolidado no governo da política não é possível
secularizar. Hobbes prega que só há uma religião que necessariamente deve ser a
do governante.

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