- HOBBES, Thomas. Leviatã: matéria, forma e poder de um Estado Eclesiástico e Civil. Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. Disponível em:http://www.ead.ufes.br/pluginfile.php/23045/mod_resource/content/1/O%20Leviatã%20de%20Thomas%20Hobbes.pdf Acesso em: 13 de junho de 2015.
- PACIEVITCH, Thais. Thomas Hobbes. Sessão Biografias. Disponível em: http://www.infoescola.com/biografias/thomas-hobbes/ Acesso em 14 de junho de 2015.
- Thomas Hobbes. Site público. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Hobbes Acesso em: 14 de junho de 2015.
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Referências
2.3 - As relações entre Estado e Igreja
A
sociedade necessita de uma autoridade à qual todos os membros devem render o
suficiente da sua liberdade natural, por forma a que a autoridade possa
assegurar a paz interna e a defesa comum. Ou seja, defendia a ideia segundo a
qual os homens só podem viver em paz se concordarem em submeter-se a um poder
absoluto e centralizado, quer seja um monarca ou uma assembleia, o Estado é uma
autoridade inquestionável.
Na teoria
do Estado de Hobbes não há separação entre Igreja e Estado, entre religião e
política, uma vez que ambas as matérias são da competência da autoridade
soberana do Estado. Portanto, fica claro que na teoria constitucional do autor
"não só não há separação entre Igreja e Estado, como Igreja e Estado são a
mesma coisa, são 'dois nomes diferentes' – diz Hobbes – da mesma coisa, tendo a
denominação de Estado 'enquanto consta de homens, e de Igreja enquanto consta
de cristãos'. Desse modo, a teoria da indivisibilidade do poder, fundada na
convicção de que o poder soberano ou é o único ou não é soberano, desemboca
numa total conversão da Igreja em instituição do Estado.
Fica
claro que a tão comentada distinção entre o poder espiritual e o poder temporal
tem de ser eliminada para que se alcance paz, ordem, proteção e obediência no
interior de um corpo político. Se o governo da religião, isto é, o governo
espiritual não estiver consolidado no governo da política não é possível
secularizar. Hobbes prega que só há uma religião que necessariamente deve ser a
do governante.
2.2 - O fim do conflito: os ditames da reta razão
Hobbes
confere à razão o papel de apontar aos homens o melhor caminho para a
conservação da vida na medida em que a razão é a faculdade a partir da qual as
leis de natureza podem ser deduzidas. Ela deve ser um objeto de estudo se
pretendemos entender tais leis. No Leviatã, Hobbes diz que razão “nada
mais é do que cálculo das consequências de nomes gerais estabelecidos para
marcar e significar nossos pensamentos”. Raciocinar, para Hobbes é calcular e o
raciocínio é responsável. A razão demanda esforço e sendo assim não é tão
facilmente alcançada por todos os homens.
O bom uso
da razão requer um bom uso da linguagem, pois a linguagem mal utilizada conduz
a raciocínios falsos ou absurdos, que podem ser altamente maléficos à
humanidade, é ela que nos difere dos animais, mas, por outro lado, a linguagem
é capaz de nos precipitar na ignorância se não for bem utilizada.
Hobbes
diz que a capacidade de proceder de acordo com regras gerais e infalíveis não é
qualidade de todos os homens, mas “pouquíssimos têm e apenas numas poucas
coisas”. Assim, tal habilidade é restrita e como todo cálculo, está sujeita ao
erro. Podemos dizer que a razão parece estar mais relacionada com a faculdade,
com a capacidade que os homens têm de calcular, enquanto a reta razão parece se
referir ao melhor uso da razão. A razão é reta quando o raciocínio é verdadeiro.
E do ponto de vista do comportamento humano, quando o raciocínio é verdadeiro
as conclusões às quais chega são regras que conduzem à preservação de si e à
paz, sendo assim, mais uma vez temos que a razão, enquanto faculdade é também
própria de todos os homens. Há a necessidade de que, para haver a reta razão, é
preciso o esforço ou cultivo.
Uma
correta operação da razão se mostra possível mesmo em estado de natureza, ou
seja, o bom uso da razão, em estado de natureza, é improvável, ainda que não seja
impossível.
Hobbes
diz que a razão contribui pois sugere adequadas normas de paz, em torno das
quais os homens podem chegar a acordo. Essas normas são as leis de
natureza.
Uma vez
que o que se pretende é a conservação de si por meio do estabelecimento da paz,
as regras seguintes pretendem preservar a sociabilidade e evitar a hostilidade
entre os homens.
Uma lei
de natureza é uma regra descoberta por reflexão racional que conduz os
indivíduos em direção à autopreservação. Por meio do poder da razão, os
indivíduos no estado de natureza podem descobrir princípios gerais de ação que
os ajudarão a evitar a destruição.
As leis
de natureza podem ser resumidas na regra de ouro: “não faças ao outro aquilo
que não farias a ti mesmo”.
No estado
de natureza não há garantia de cumprimento recíproco do pacto, se alguém
cumpriu sua parte, não se deve estar certo de que o outro o fará. Os homens
prezam pelo benefício imediato que possam ter com o rompimento. Faz-se
necessário, portanto, um poder comum que atue sobre os contratantes e os
obrigue ao cumprimento, uma instituição de um poder civil suficiente para
obrigar os homens a cumpri-los. A obrigação efetiva se dá somente no Estado
Hobbes
afirma que as leis de natureza podem ser vistas sob duas perspectivas: primeiro
elas são uma série de regras descobertas pela razão humana, e não são
moralmente obrigatórias, mas preceitos prudenciais que fornecem um caminho
racional para a autopreservação.
Segundo,
elas são também os comandos de Deus revelados através do poder natural da razão
e através da Sagrada Escritura
Vemos no Leviatã
que “todos os homens concordam que a paz é uma coisa boa, e, portanto que
também são bons o caminho ou meios da paz, os quais são a justiça, a gratidão,
a modéstia, a equidade, a misericórdia e as restantes leis de natureza; quer
dizer, as virtudes morais; e que seus vícios contrários são maus”.
2 - Elementos centrais da Filosofia Política de Thomas Hobbes
2.1- O estado de natureza
O homem não é, por natureza bom, por esta razão,
segundo Hobbes, quando os homens viviam no Estado da Natureza em que eram todos
iguais e, portanto tinham todos os mesmos direitos, cada um fazia o que lhe apetecia.
Hobbes afirma que no estado de natureza os homens podem todas as coisas. Por
isso, eles utilizam todos os meios disponíveis para consegui-las.
Os homens
são maus por natureza (o homem é o lobo do próprio homem), pois possuem
um poder de violência ilimitado, recorrem à violência em prol da segurança
desse bem, expresso pelos outros aquele reconhecimento valorativo que se
autoconfere é também causa da discórdia, porque nenhum homem se vê inferior aos
outros e, por isso, impõe-se violentamente sobre os outros como superior. Assim
Hobbes percebe que nessa condição tudo é possível, já que não há regras que
impeçam os homens de tomar o que é de outrem, nem que os impeçam de infligir
sofrimento ao outro. A partir de um contrato social que visa a abdicação
do poder ilimitado de cada um e um redirecionamento desse poder (poder de
polícia) para a manutenção da ordem e da estabilidade.
1 - Introdução ao pensamento de Thomas Hobbes
Será que o ser humano nasce livre?
Não, pois, Thomas Hobbes conclui que somente podemos
nos considerar realmente livres quando somos capazes de avaliar as
consequências, boas ou más, das nossas ações.
Na obra Leviatã, Hobbes explanou os seus
pontos de vista sobre a natureza humana e sobre
a necessidade de um enorme governo e de uma enorme sociedade. De acordo com Hobbes, tal sociedade necessita de uma
autoridade à qual todos os membros devem render o suficiente da sua liberdade
natural, por forma a que a autoridade possa assegurar a paz interna e a defesa
comum sendo o Leviatã, uma obra que condiz uma autoridade inquestionável.
Thomas
Hobbes defendia a ideia que os homens só podem viver em paz se concordarem em
submeter-se a um poder absoluto e centralizado. Para ele, a Igreja cristã e o
Estado cristão formavam um mesmo corpo, encabeçado pelo monarca, que teria o
direito de interpretar as Escrituras, decidir questões religiosas e presidir o
culto. Neste sentido, critica a livre interpretação da Bíblia na Reforma Protestante
Sua
filosofia política foi analisada pelo cientista político Richard Tuck como uma
resposta para os problemas que o método cartesiano
introduziu para a filosofia moral. Hobbes
argumenta que só podemos conhecer algo do mundo exterior a partir das
impressões sensoriais que temos dele ("Só existe o que meus sentidos
percebem") possuindo uma descrição da natureza humana como cooperação em
interesse próprio. E aqui podemos entender por que Hobbes é com Maquiavel e em
certa medida Rousseau, um dos pensadores mais "malditos", tão
ofensivo quanto "maquiavélico".
Thomas Hobbes
Thomas Hobbes (1588 - 1679) matemático,
teórico político, e filósofo inglês, destaca-se no campo da teoria política pelas obras
Leviatã (1651) e Do Cidadão (1642), influenciado pela reforma Anglicana.
No
século XVII Hobbes foi de grande importância para a
Inglaterra, pois marca o começo do expansionismo colonialista
ultramarino inglês, também são lançadas as bases do
capitalismo industrial na Inglaterra com a Revolução Gloriosa, ele foi o marco do absolutismo monárquico deste
século.
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